o mar do poeta

o mar do poeta

o mar do poeta

o mar do poeta

quarta-feira, janeiro 12

MINHAS VIAGENS - BANGKOK - SUNGAI KOLOK



Tinha chegado a Bangkok no dia 22 de Novembro de 2000 e através do consulado tailândes em Hong Kong, obtive um visto turista válido para poder permanecer na Tailândia por 60 dias, podendo depois recorrer aos serviços de migração em Bangkok para solicitar uma extensão por mais 30 dias. Consegui portanto ficar na Tailândia até 19 de Fevereiro do ano seguinte.

Antes de terminar a validade do visto , desloquei-me aos escritórios da firma “Express Sabai” para uma vez mais recorrer aos seus préstimos, como o tinha feito anteriormente em Janeiro de 1999 e em Fevereiro de 2000.

A firma em questão era propriedade de um suiço, que a explorava assistido pela sua esposa tailândesa.

Através de um anúncio num dos diários de lingua inglesa, o Nation e Bangkok Post,tomei conhecimento desta empresa. Prestava serviços na obtenção de vistos de turista, trabalho e de outras cetegorias, afirmando ser a sua actividade absolutamente legal.

O preço de um visto de turista dependia do número de entradas, indo de 3 000 a 9 000 baths. Tínha-mos que assinar o pedido de visto e deixar o passaporte e fotos.

A firma trataria do resto, junto das autoridades de migração na fronteira com a Malásia em Sadao, onde era aposto no passaporte o carimbo de saída pela migração tailandesa e na mesma povoação, a migração da Malásia colocava o carimbo de entrada. Através do consulado da Tailândia em Penang era solicitado o visto respectivo.

A seguir reverti-se esta operação com os serviços de migração malaios a caribarem a saída e os da Tailândia a entrada.

Tudo pronto, a firma enviava por correio expresso o passaporte ao seu proprietário. Como se vê era fácil e prático, não se necessitando sair do país para solicitar visto junto dos consulados tailândeses, nos países vizinhos.

Chegado ao local onde outrora se encontrava a firma Sabai, deparei com uma loja de venda de roupas para senhora. A sua proprietária informou-me a firma Sabai tinha sido encerrada pela polícia e seu proprietário sido preso.

Sai então em direcção a uma paragem de autocarros e no trajecto reparei numa tabuleta de um advogado informando tratar de casamentos, contas comerciais e legalização de visto de permanência.

Como o escritório ficava no rés do chão ali ao lado, entrei numa sala, com pouca iluminação os móveis velhos e sombrios. Havia duas secretárias,onde numa se encontrava uma senhora de meia idade, com uma pintura bastante pesada, talvez para encobrir as enormes rugas, que mesmo tapadas com bastante pó de arroz ou outro produto, eram ainda continuavam bem visíveis.

Perguntou-me o que me trazia ali e expliquei-lhe o que desejava,reparei que não era a advogada, mas sim assistente. Por telefone entrou em contacto com o advogado expondolhe o caso.

Depois, tapando o bocal do telefone , disse-me que iriam tratar do assunto sendo o custo de 12,000 bath’s.

Achei a quantia bastante exagerada e agradecendo acabei por sair do escritório.
Ainda entrei numa outra firma que anunciava igualmente os mesmos serviços. A moça que me atendeu não me soube responder e um sujeito ali presente, de má aparência e talvez empregado, disse-me que tratariam do caso.

Pela sua conversa em tailândes com a moça e aprecebi-me que também não sabiam nada mas pretendiam a quantia de 10,000 bath’s. Igualmente agradeci saíndo do escritório porque aquelas pessoas não me inspiravam confiança.

Recordei-me da firma Sabai, do seu professionalismo e eficácia, no regresso a casa.

Seguiam depois até Kota Baru, na Malásia, onde existe um consulado tailândes e ali solicitavam a passagem de novo visto.Eu desconhecia todas essas coisas e esses locais, tive que recorrer a um mapa para localizar a cidade de Sungai Kolok.

Não via outra alternativa mais viável e barata. Teria que me ausentar da Tailândia e seria Sungai Kolok o próximo destino.





O expresso largou pontualmente no horário, saindo lentamente da enorme estação, cheia de movimento de pessoas e comboios para outros destinos.

Era a minha segunda experiência em viagens de comboio pela Tailândia. A primeira tinha sido já há imenso tempo numa curta viagem até a Ayuthaya, com classe únicas e assentos de madeira. Agora era diferente, as instalações eram outras e a viagem duraria cerca de 20 horas.

O expresso apanhou a via sul e lá seguimos, atravessando um enorme agnomerado de barracas percárias e poças de água estagnada, por onde se podia ver por todo o lado crianças a brincar alheias aos perigos. Uma miséria semelhante a que observei em Macau. Sabia que em Bangkok existiam ainda zonas destas hoje totalmente irradicadas em Macau, mas era a primeira vez que via com os meus próprios olhos esta imensa miséria.

Pouco depois o expresso parou numa estação onde embarcaram alguns passageiros, demorou-se pouco tempo para atravessámos em seguida uma longa ponte. A partir deste momento a paisagem modificou-se, avistavam-se agora imensos campos de cultura com inumeras bananeiras, palmeiras e coqueiros.

O encarregado da carruagem bateu à porta, perguntado se desejavamos jantar. Respondendo afirmativamente, entregou-nos a ementa para escolhemos as refeições. Mais tarde iria buscar ao vagão restaurante o nosso jantar, duas cervejas e café e nos servir no compartimento.
Entretive-me a ler o jornal tendo o comboio ainda parado em algumas estações em que não prestei atenção.

Pelas sete da noite o empregado preparou a mesa e ali colocou os pratos com a comida. Jantámos, bebi o café e em seguida tomei banho visto as instalações sanitárias estarem providas de chuveiro. Regressei ao compartimento estava o encarregado da cabine a abrir o beliche superior, pôr os lençóis e cobertores, tudo em perfeito estilo.



Deitei-me no beliche superior, depois de ter trocado com a minha companheira, porque o som das rodas nos carris não me deixavam dormir. Adormecendo por fim, só acordei quando o sol entrou pela janela já nos encontrava-mos bem perto de Hat-Yai, onde a azáfama era grande, com muitos passageiros ali desembaram.

Na gare, varias vendedoras usando vestidos compridos pois eram islamitas, ofereciam os seus produtos.


Ali estivémos cerca de um quarto de hora antes de prosseguirmos viagem. Era a primeira vez que minha companheira e eu passava-mos por aqueles locais.

A paisagem tinha mudado e agora até onde nossa vista podia alcançar, só se viam árvores da borracha.

Corriamos entre fechada vegetação, tipo selva, indicando-nos que já estavamos perto do nosso destino, onde chegamos pelas 11.30 da manhã.






À saída da estação vários condutores de motos táxis procuravam passageiros desembarcados que quisessem usar os seus serviços. Fiquei observando alguns turistas a indagaram o preço para os transportar até à fronteira, que eram 20 baths.

Minha companheira e eu, cada um em sua moto, seguiu até aos servicos de migração tailândeses. Alí apresentamos os nossos passaportes e um agente informou minha companheira que seu passaporte tinha caducado, mas que podia ir até à Malásia, bastanto entregar nos servicos de migração malaios o seu bilhete de identidade.
 Preenchi o respectivo impresso de entrada, entreguei o passaporte e entrei para a sala dos serviços alfandegários. A Ah Mui deixava ali depositado o seu B.I. e veio ter comigo.
Não podia se deslocar para muito longe, podendo apenas passear ali pelas redondezas.




Atravessámos, a pé, a ponte que separa a Tailândia da Malásia e apresentámo-nos nos serviços de migração malaios.

Do outro lado da fronteira, além de uns três táxis ali parados e de umas poucas lojas, não havia mais nada.

A cidade de Kota Baru ficava ainda a 40 kms. de distância e minha companheira não podia lá ir. Ainda por cima era sábado pelo que resolvemos regressar à Tailândia.

A funcionária que nos atendeu eram bastante simpática, mas pouco eficiente, não conseguindo encontrar o B.I. Depois de vários telefonemas finalmente lá o encontrou.

Torna-mos a passar a ponte e nos serviços de migração tailandeses tendo o meu passaporte sido carimbado autorizando-me a ficar na Tailândia por mais 30 dias.

O Expresso que nos tinha trazido já tinha partido, pelo que pensámos ir à cidade e ali apanhar um autocarro para Narativate, donde seguiriamos de avião até Bangkok.

Recorremos aos serviços de um velho triciclo, conduzido igualmente por um individuo já idoso e disse-lhe para nos levar até à estação de autocarros. O velhote informou que não havia estação de autocarros naquela cidade, mas algumas companhias que usavam carrinhas no transporte de passageiros.

Disse-lhe para nos levar a uma, que se encontrava no centro da pequena cidade, se se pode chamar Sungai Kolok de cidade.

Ali perguntei ao funcionário qual o horário de saída da carrinha para Narativate, pois desejava seguir para lá e ali apanhar o avião para Bangkok. Informou-nos que o último avião de Narathiwat já tinha partido, pelo que sugeriu serguirmos para Hat Yai e dali apanharmos um vôo para Bangkok, já que ainda havia vários vôos nesse noite.

A viagem custava 300 baths por pessoa e a carrinha saíria dali pelas quatro da tarde.

Paguei as passagens e como ainda tinhamos tempo, fomos almoçar a um restaurante ali perto.




Partimos para HaT Yai à hora marcada na companhia de mais cinco passageiros tendo a viagem demorado três horas.

Chegados ao destino, desembarcaram junto a um hotel quatro passageiros, tendo um já desembarcado numa vila próxima. Disse ao condutor para nos levar até ao aeroporto mas este pediu logo mais 50 baths, porque o aeroporto ficava ainda a uns trinta quilómetros.


Ao chegarmos, dirigimo-nos aos balcões da companhia aérea Thai-Inter, pedindo ao funcionário para marcar dois lugares na primeira viagem disponível.

Informou-me que para aquele noite como para o dia seguinte os vôos estavam todos com lotação esgotada. Havia um vôo às 14.50 horas, mas só com lugares em Busines Classe. Não tendo outra alternativa adquiri dois bilhetes para essa viagem.

Agora teria que arranjar alojamento para pernoitar. Fiz alguns telefonemas, mas todos os hoteis contactados estavam cheios. Resolvemos ir para a cidade e ali procurar hotel. Fomos num carro do aeroporto e após várias tentativas em vários hoteis, encontrámos quarto no Central Hat Yai Hotel, onde ficámos alojados por 480 baths.




Subimos ao quatro, tomamos um banho e saímos para jantar. As ruas tinham imenso movimento de viaturas e pessoas, os passeios estavam cheios de vendedores, havia de tudo e a procura era grande.

Milhares de turistas malaios deslocavam-se ali todos os fins de semana para fazerem compras, pois era muito mais barato do que na Malásia.

Compreendi então a razão porque os hoteis tinhas os quartos cheios. Jantámos e regressámos ao hotel, ligando o ar condicionado que começou a fazer um barulho enorme, vertendo imensa água.

Foi necessário solicitar a presença de um empregado para reparar a avaria. Depois sim, sem barulho nem água a pingar dormi uma noite confortavel.

No dia seguinte bem cedo saimos e fomos tomar o pequeno almoço, depois demos uma volta pela grande cidade e fizemos imensas compras que íamos pondo no quarto do hotel.



Tivémos ainda tempo de entar no centro comercial ali defronte onde minha companheira, modista por profissão, viu uma enorme tábua de passar a ferro e cujo preço era bastante barato pelo que acabou por comprar.

Saímos, e no rés do chão ficava a entrada de um hotel. Estando ali estava parado um carro, solicitámos o seu serviço para nos levar até ao aeroporto, passando primeiro pelo nosso hotel onde recolhemos a nossa bagagem..

Chegados ao aeroporto seguimos para a sala de espera, fomos até ao bar e entregámos as senhas que nos tinham sido fornecidas. A empregada em troca deu-nos duas coca-colas, era só o que se podia tomar. Ficámos aguardando a chegado do avião que chegou atrasado cerca de 50 minutos. Por fim subimos para bordo sentamo-nos nas confortaveis cadeiras de busines classe.


O avião era um airbus 300-600, e a hospedeira entregou-nos uma toalha perfumada e refrescante. Nada mais!...

Apertámos os cintos de segurança e levantamos vôo em seguida.. O dia esta óptimo e a viagem era curta, pois passada uma hora aterravamos no aeroporto em Dom Muang. Seguimos para num táxi.

Tudo tinha decorrido sem acidentes e fiquei logo planeando efectuar outra viagem, ainda sem destino marcado, no próximo mês.
Terminou assim algo inexperadamente, a primeira viagem relacionada com a aquisição de um visto. A próxima terá que ser melhor pensada para evitar alguns contratempos.

Nunca mais voltei a esta cidade, embora tivesse ido inumeras vezes á cidade de Hat Yai, mas sempre com algum receio, visto que os residentes do sul da Tailândia de origem muslin quer a independencia e como tal travam desde vários anos uma guerrilha com o governo que causou já uns milhares de mortos.



2 comentários:

José Martins disse...

Meu caro amigo Cambeta,
Tomara o nosso Fernão Mendes Pinto conhecer a Tailândia como a tem viajada!

Posso garantir-lhe que outro português a tenha conhecido como o meu amigo.
.
Continue a divulgar os lugares por onde passou.
Histórias interessantes.
Abração

Pedro Coimbra disse...

Continue a contar essas aventuras, caro Cambeta.
Dá gozo ler.
Um abraço